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Questão do ENEM 2020

Linguagens e Códigos · habilidade 17Digital · Caderno Rosa · Questão 33

Dias depois da morte de D. Mariquinha, Seu Lula, todo de luto, reuniu os negros no pátio da casa-grande e falou para eles. A voz não era mais aquela voz mansa de outros tempos. Agora Seu Lula era o dono de tudo. O feitor, o negro Deodato, recebera as suas instruções aos gritos. Seu Lula não queria vadiação naquele engenho. Agora, todas as tardes, os negros teriam que rezar as ave-marias. Negro não podia mais andar de reza para S. Cosme e S. Damião. Aquilo era feitiçaria. [...]

E o feitor Deodato, com a proteção do senhor, começou a tratar a escravatura como um carrasco. O chicote cantava no lombo dos negros, sem piedade. Todos os dias chegavam negros chorando aos pés de D. Amélia, pedindo valia, proteção contra o chicote do Deodato. A fama da maldade do feitor espalhara-se pela várzea. O senhor de engenho do Santa Fé tinha um escravo que matava negro na peia. [...] E o Santa Fé foi ficando assim o engenho sinistro da várzea.

RÊGO, J. L. Fogo morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989.

A condição dos trabalhadores escravizados do Santa Fé torna-se exponencialmente aflitiva após a morte da senhora do engenho. Nessa passagem, o sofrimento a que se submetem é intensificado pela reação à

  1. Alternativa A: mania do novo senhor de se dirigir a eles aos gritos.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Os gritos aparecem nas instruções dadas ao feitor, não como causa do sofrimento dos escravizados. O que os atinge é o chicote do feitor e as proibições impostas pelo novo senhor.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: saudade do afeto antes dispensado por D. Mariquinha.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto contrasta a voz antes mansa do senhor com sua dureza atual, mas não menciona saudade dos escravizados em relação à antiga senhora. O agravamento vem das novas imposições.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: privação sumária de suas crenças e práticas ritualísticas. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. Com a morte da senhora, Seu Lula impõe que os escravizados rezem as ave-marias e proíbe suas rezas a S. Cosme e S. Damião, tratadas como feitiçaria. Essa privação de crenças e práticas rituais soma-se aos castigos do feitor e intensifica o sofrimento descrito.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: inércia moral de D. Amélia ante as imposições do marido.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. D. Amélia é procurada pelos escravizados como proteção contra o feitor. O texto não apresenta a inércia moral dela como fator que intensifique o sofrimento.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: reputação do Santa Fé de lugar funesto a seus moradores.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A fama de sinistro do engenho é consequência da crueldade do feitor, e não causa do sofrimento. Ela se espalha pela várzea depois dos castigos, sem ser algo a que os escravizados reajam.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
98326
Código da prova
694
Arquivo do PDF
ENEM_2020_DIGITAL_CAD_04_DIA_1_ROSA_INGLES.pdf