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Questão do ENEM 2022

Linguagens e Códigos · habilidade 17Caderno Azul · Questão 43

Vanda vinha do interior de Minas Gerais e de dentro de um livro de Charles Dickens. Sem dinheiro para criá-la, sua mãe a dera, com seus sete anos, a uma conhecida. Ao recebê-la, a mulher perguntou o que a garotinha gostava de comer. Anotou tudo num papel. Mal a mãe virou as costas, no entanto, a fulana amassou a lista e, como uma vilã de folhetim, decretou: “A partir de hoje, você não vai mais nem sentir o cheiro dessas comidas!”.

Vanda trabalhou lá até os quinze anos, quando recebeu a carta de uma prima com uma nota de cem cruzeiros, saiu de casa com a roupa do corpo e fugiu num ônibus para São Paulo.

Todas as vezes que eu e minha irmã a importunávamos com nossas demandas de criança mimada, ela nos contava histórias da infância de gata-borralheira, fazia-nos apertar seu nariz quebrado por uma das filhas da “patroa” com um rolo de amassar pão e nos expulsava da cozinha: “Sai pra lá, peste, e me deixa acabar essa janta”.

PRATA, A. Nu de botas. São Paulo: Cia. das Letras, 2013 (adaptado).

Pela ótica do narrador, a trajetória da empregada de sua casa assume um efeito expressivo decorrente da

  1. Alternativa A: citação a referências literárias tradicionais.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. As referências a Dickens, ao folhetim e à gata-borralheira estão no texto, mas como comparações que enquadram a história de Vanda; o que dá à trajetória seu efeito é o modo como os maus-tratos são contados, em tom de anedota, a ponto de o nariz quebrado virar brincadeira das crianças. Quem a escolhe reconhece o recurso comparativo, mas não o efeito que ele produz no relato.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: alusão à inocência das crianças da época.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. As crianças aparecem como mimadas e importunas, não como símbolo de inocência de uma época. A alternativa não corresponde ao retrato que o narrador faz de si e da irmã.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: estratégia de questionar a bondade humana.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A crueldade da mulher que recebeu Vanda é mostrada, mas o narrador não constrói uma reflexão sobre a bondade humana em geral. Quem a escolhe generaliza um caso narrado com humor.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: descrição detalhada das pessoas do interior.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O interior de Minas é apenas o ponto de partida de Vanda; o texto não descreve seus habitantes. A violência acontece na casa da patroa, e o foco está na história da empregada.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: representação anedótica de atos de violência. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. A trajetória de Vanda é feita de violências: a mãe a entrega aos sete anos, a nova patroa a priva das comidas de que gostava, ela trabalha até os quinze e tem o nariz quebrado com um rolo de amassar pão. O narrador conta isso com leveza de anedota: a patroa é vilã de folhetim, a infância é de gata-borralheira, e as crianças apertam o nariz quebrado enquanto Vanda as expulsa com um sai pra lá, peste. O efeito expressivo vem dessa representação anedótica de atos violentos.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
78112
Código da prova
1065
Arquivo do PDF
ENEM_2022_P1_CAD_01_DIA_1_AZUL.pdf