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Questão do ENEM 2024

Linguagens e Códigos · habilidade 15Reaplicação · Caderno Azul · Questão 44

XIX

Talvez não se lembre de um Jacinto, cujo nome, então desconhecido para mim, ouvira uma vez da boca de Lúcia.

Era um homem de 45 anos; feição comum e espírito medíocre. Encontrava-o agora todos os dias em casa de Lúcia; e desde a primeira vez antipatizara com a sua enjoativa figura.

— Quem é este senhor? — perguntei a Lúcia.

Ela perturbou-se.

— É um sujeito que costuma tratar dos meus negócios.

— Que importantes negócios são os teus que eu não me possa incumbir deles?

— Compras... Não tenho outros. Para que incomodá-lo com isso?

— Também sou ciumento: não desejo que ocupes outra pessoa além de mim.

— Esse homem é quase um criado.

A palavra produziu o seu efeito; desde que o Jacinto desceu ao mister de homem assalariado, não fiz mais reparo na sua assiduidade. Quase sempre o encontrava na escada interior, descendo quando eu subia; dava-lhe tanta atenção como ao carroceiro que enchia as talhas d’água, ou ao cozinheiro que saía a compras.

ALENCAR, J. Lucíola. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 25 ago. 2017.

Ao relatar seu passado com Lúcia, cortesã de modos refinados, o narrador revela uma visão de mundo alinhada ao Romantismo, representada, nesse fragmento, pela

  1. Alternativa A: análise psicológica do comportamento feminino.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O narrador não analisa o comportamento de Lúcia; registra sua perturbação e passa logo à própria reação. A sondagem psicológica minuciosa é traço mais associado ao Realismo e não organiza este trecho.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: valorização da preocupação com o estilo e a moda.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Moda e estilo não aparecem no fragmento. Quem a escolhe se apoia na informação de que Lúcia é cortesã de modos refinados, que está no enunciado, não no texto.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: fuga do presente e refúgio em um tempo idealizado.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Embora o narrador relate o passado, não há fuga para um tempo idealizado; a cena é cotidiana, com compras, criados e carroceiros. Quem a escolhe aplica uma característica romântica conhecida que o trecho não mostra.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: relevância do prestígio social para a classe burguesa. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O narrador antipatiza com Jacinto e sente ciúme enquanto o vê como alguém que trata dos negócios de Lúcia. Basta ela dizer que esse homem é quase um criado para o ciúme desaparecer: desde que Jacinto desceu ao mister de homem assalariado, recebe a mesma atenção que o carroceiro ou o cozinheiro. A posição social decide como o narrador enxerga as pessoas, o que revela o peso do prestígio social na visão de mundo da burguesia retratada pelo romance romântico urbano.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: emotividade condicionada ao relato em primeira pessoa.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O relato é em primeira pessoa e há ciúme, mas o centro do trecho é a mudança de atitude provocada pela condição social de Jacinto, não a expansão emotiva do narrador. Quem a escolhe identifica o foco narrativo, mas perde o que de fato governa a reação dele.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
26631
Código da prova
1353
Arquivo do PDF
2024_PV_reaplicacao_PPL_D1_CD1.pdf