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Questão do ENEM 2020

Ciências Humanas · habilidade 11Digital · Caderno Amarelo · Questão 48

As pessoas do Rio de Janeiro se fazem transportar em cadeirinhas bem douradas sustentadas por negros. Esta cadeira é seguida por um ou dois negros domésticos, trajados de librés mas com os pés nus. Se é uma mulher que se transporta, ela tem frequentemente quatro ou cinco negras indumentadas com asseio; elas vão enfeitadas com muitos colares e brincos de ouro. Outras são levadas em uma rede. Os que querem andar a pé são acompanhados por um negro, que leva uma sombrinha ou guarda-chuva, como se queira chamar.

LARA, S. H. Fragmentos setecentistas. São Paulo: Cia. das Letras, 2007 (adaptado).

Essas práticas, relatadas pelo capelão de um navio que ancorou na cidade do Rio de Janeiro em dezembro de 1748, simbolizavam o seguinte aspecto da sociedade colonial:

  1. Alternativa A: A devoção de criados aos proprietários, como expressão da harmonia do elo patriarcal.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O relato mostra pessoas escravizadas carregando senhores e vestidas de modo vistoso, o que não indica devoção afetiva nem harmonia entre as partes. Quem a escolhe confunde a ostentação do séquito com um laço de lealdade, quando o texto trata de exibição de status em uma sociedade de dominação.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: A utilização de escravos bem-vestidos em atividades degradantes, como marca da hierarquia social. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O texto descreve escravos de librés e mulheres escravizadas com colares e brincos de ouro, carregando cadeirinhas, redes e sombrinhas. O trabalho pesado e humilhante, realizado por cativos bem-vestidos, funcionava como vitrine da riqueza do senhor e reafirmava a distância entre quem mandava e quem servia, ou seja, a hierarquia social.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: A mobilização de séquitos nos passeios, como evidência do medo da violência nos centros urbanos.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto não menciona medo da violência urbana nem proteção contra ela; os acompanhantes aparecem como carregadores e portadores de sombrinha. Interpretar o séquito como escolta é uma leitura que acrescenta ao relato uma motivação que ele não traz.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: A inserção de cativos na prestação de serviços pessoais, como fase de transição para o trabalho livre.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O uso de cativos em serviços pessoais mostra a permanência da escravidão no período colonial, em 1748, e não uma fase de transição para o trabalho livre. A ideia de transição projeta para o século XVIII um processo que só se discute bem mais tarde.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: A concessão de vestes opulentas aos agregados, como forma de amparo concedido pela elite senhorial.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. As roupas e joias dos escravizados exibem a riqueza dos proprietários, e não um amparo aos agregados. Quem a escolhe toma a ostentação por proteção, esquecendo que as pessoas descritas são cativas, e não dependentes livres.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
26524
Código da prova
688
Arquivo do PDF
ENEM_2020_DIGITAL_CAD_02_DIA_1_AMARELO_ESPANHOL.pdf