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Questão do ENEM 2025

Linguagens e Códigos · habilidade 15Aplicação especial · Caderno Amarelo · Questão 26

A escrava Senti-me tocada de veneração em presença daquele amor filial, tão singelamente manifestado.

— Sigamos, então, — tornei eu.

Gabriel caminhava tão apressadamente que eu mal podia acompanhá-lo.

Em menos de quinze minutos transpúnhamos o umbral da casinha, que há dois dias apenas eu habitava.

Eu bem conhecia a gravidade do meu ato: recebia em meu lar dois escravos foragidos, e escravos talvez de algum poderoso senhor; era expor-me à vindita da lei; mas em primeiro lugar o meu dever, e o meu dever era socorrer aqueles infelizes.

Sim, a vindita da lei; lei que infelizmente ainda perdura, lei que garante ao forte o direito abusivo, e execrando de oprimir o fraco.

Mas, deixar de prestar auxílio àqueles desgraçados, tão abandonados, tão perseguidos, que nem para a agonia derradeira, nem para transpor esse tremendo portal da Eternidade, tinham sossego, ou tranquilidade! Não.

Tomei com coragem a responsabilidade do meu ato: a humanidade me impunha esse santo dever.

REIS, M. F. dos. A escrava. In: A escrava: antologia de prosa e versos. São Paulo: Metabiblioteca, 2021.

Nesse fragmento, o ponto de vista da narradora inova na tradição observada no romance romântico, pois

  1. Alternativa A: contradiz o ufanismo nacionalista vigente.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O fragmento não trata de exaltação da pátria nem a contradiz: a narradora discute o dever humanitário de abrigar escravizados foragidos e critica a lei que protege o forte. Quem a escolhe confunde a crítica social com oposição ao nacionalismo, tema que não aparece no trecho.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: aborda um tema deliberadamente silenciado. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. No romance romântico, a escravidão costumava ficar à margem da narrativa ou ser tratada sem a voz dos oprimidos. Aqui, a narradora assume o ponto de vista de quem acolhe dois escravizados foragidos e condena a lei que garante ao forte o direito de oprimir o fraco. A inovação está em dar voz a um assunto que a tradição silenciava.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: questiona a vulnerabilidade dos personagens.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A narradora reconhece o abandono e a perseguição dos escravizados, mas não questiona a vulnerabilidade deles; ela a constata e age para socorrê-los. O que questiona é a lei que sustenta a opressão. Quem a escolhe confunde descrição da fragilidade com crítica a ela.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: reconhece a gravidade da insubmissão às leis.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A narradora admite que o ato a expõe à vindita da lei, mas isso não é o que inova o ponto de vista. Além disso, ela considera a lei injusta e afirma que o dever humanitário vem em primeiro lugar. Reconhecer o risco não é, portanto, o traço de novidade em relação ao romance romântico.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: expressa o sofrimento ante a iminência da morte.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A referência à agonia derradeira e ao portal da Eternidade mostra o sofrimento dos foragidos, mas é um detalhe do quadro de desamparo, e não o que diferencia o ponto de vista. O sofrimento diante da morte também não é traço exclusivo desta narrativa em relação ao romance romântico.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
158760
Código da prova
1530
Arquivo do PDF
2025_PV_impresso_D3_CD2.pdf