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Questão do ENEM 2025

Linguagens e Códigos · habilidade 17Aplicação especial · Caderno Amarelo · Questão 16

Quando a porta se abriu, ouvi em tom baixo: “Não saia daí até eu voltar!”. E ela se fechou, me deixando ali, no escuro. [...]

Até que acabaram os biscoitos e a água que levamos na mochila. Bateu sede, mas eu não podia sair do quartinho. Bateu fome, mas eu não podia sair do quartinho. Bateu vontade de fazer xixi, mas... descobri que tinha um microbanheiro atrás de outra porta branca: um vaso sanitário, um chuveiro que por pouco não estava sobre o vaso e, em frente aos dois, uma pia com um espelho na parede acima dela. Entre o espelho e a pia, uma prateleira com um pote, um tubo de pasta de dentes e uma escova dentro. Tudo no diminutivo.

Quando ter uma empregada que dorme no trabalho passou a ser algo caro e não de muito bom-tom, os corretores de imóveis chamariam esse local da casa de “quarto reversível”, um nome para não chamar o quartinho de quartinho ou do que ele realmente era: um lugar para serviçais, criadas, babás, domésticas, amas, empregadas. Todos esses nomes que deram e dão até hoje a quem é “quase da família”. Um lugar onde estivessem ao alcance do comando de voz, do olhar, ao alcance das mãos... A tempo e hora, vinte e quatro horas por dia.

CRUZ, E. A. Solitária. São Paulo: Cia. das Letras, 2022.

Nesse fragmento, ao refletir sobre aspectos da rotina de trabalho da mãe, a narradora

  1. Alternativa A: demonstra a solidão do ambiente doméstico.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O quartinho é descrito como pequeno e isolado, mas a reflexão da narradora é sobre o lugar social reservado a quem trabalha na casa, não sobre solidão. Quem a escolhe vê o isolamento da cena e perde o alcance social do comentário.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: revela uma concepção crítica das relações familiares.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Ao dizer que a trabalhadora é tratada como “quase da família”, a narradora critica a falsa proximidade no trabalho, e não as relações familiares em geral. Quem a escolhe amplia o alvo da crítica.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: questiona as modificações na arquitetura dos imóveis.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A menção ao “quarto reversível” é um exemplo de eufemismo, não uma discussão sobre mudanças na arquitetura dos imóveis. Quem a escolhe confunde o exemplo com o tema.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: traça um perfil sensível do comportamento da classe média.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Os corretores e a mudança de nomenclatura aparecem em tom crítico e irônico, sem sensibilidade ao comportamento da classe média. Quem a escolhe lê como delicadeza o que é denúncia.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: sugere a persistência da divisão de classe no trabalho doméstico. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. A narradora observa que, quando ter empregada que dorme no trabalho se torna caro e malvisto, o espaço ganha novo nome, “quarto reversível”, mas continua a ser lugar de quem serve, sempre à disposição. A mudança de palavras mantém a divisão de classe no trabalho doméstico.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
158754
Código da prova
1530
Arquivo do PDF
2025_PV_impresso_D3_CD2.pdf