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Questão do ENEM 2025

Linguagens e Códigos · habilidade 4Caderno Branco · Questão 7

De próprio punho A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro 1 Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão “de próprio punho”. Parecia 2 que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem 3 burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade, 4 o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais 5 fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra, 6 hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca, 7 mais rotunda e mais cheia de arestas.

8 É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita, 9 manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso 10 não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que 11 eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de 12 tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carvão ou 13 sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever 14 neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais 15 ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias 16 possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje, 17 são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou 18 três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times 19 New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de “letras” à minha escolha. Eu e Deus 20 e o mundo.

21 A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca 22 deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até 23 hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços 24 e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra está 25 em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na 26 cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus 27 coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post its 28 na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico 29 comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso.

30 No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais 31 lacônica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai 32 minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados 33 precariamente, e todos com destino à lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam 34 como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por 35 outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais 36 ainda as adultas) precisa conviver.

37 As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco 38 complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas 39 ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando, 40 mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de 41 certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta 42 muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação 43 por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados, 44 e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. “Do punho ao pixel” não é uma 45 frase filosoficamente correta. O negócio é mais “o punho e o pixel”.

RIBEIRO, A. E. Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado).

No que diz respeito ao gênero bilhete, a autora dessa crônica

  1. Alternativa A: ressalta a formalidade na comunicação com as pessoas de sua convivência.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Os bilhetes citados são informais: servem para a comunicação com os coabitantes e para lembretes a si mesma, em “garranchos” e post its coloridos. Nada no texto os apresenta como comunicação formal.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: critica a ansiedade causada pela velocidade da comunicação.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A autora cita o fluxo “às vezes ansiogênico” das tarefas, mas atribui isso às obrigações dos adultos, e não à velocidade da comunicação. Além disso, o trecho não faz crítica aos bilhetes, e sim os descreve.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: expressa a obrigatoriedade de concisão nas anotações.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A autora diz ser “mais lacônica” no escritório, o que é uma característica pessoal, e não uma obrigação do gênero. O texto não afirma que bilhetes devam ser concisos; mostra apenas como ela mesma costuma escrevê-los.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: questiona a prática da escrita de próprio punho.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A autora não questiona a escrita de próprio punho: reconhece que o manuscrito segue presente, como na escola e em exames, e que continua a usar a letra nos bilhetes. A conclusão do texto é de convivência entre formas de escrever, e não de contestação.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: apresenta a diversidade de usos no cotidiano. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. Ao tratar dos bilhetes, a autora mostra funções variadas no dia a dia: na porta da geladeira, para falar com quem mora com ela, e em post its na mesa do escritório, para falar consigo mesma. Os bilhetes servem, portanto, a públicos e situações diferentes, o que representa a diversidade de usos no cotidiano.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
157751
Código da prova
1462
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