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Questão do ENEM 2024

Linguagens e Códigos · habilidade 27Caderno Azul · Questão 39

Falar errado é uma arte, Arnesto!

No dia 6 de agosto de 1910, Emma Riccini Rubinato pariu um garoto sapeca em Valinhos e deu a ele o nome de João Rubinato. Na escola, João não passou do terceiro ano. Não era a área dele, tinha de escolher outra. Fez o que apareceu. Foi ser garçom, metalúrgico, até virar radialista, comediante, ator de cinema e TV, cantor e compositor. De samba.

Como tinha sobrenome italiano, João resolveu mudar para emplacar seu samba. E como ia mudar o sobrenome, mudou o nome. Virou Adoniran Barbosa. O cara falava errado, voz rouca, pinta de malandro da roça. Virou ícone da música brasileira, o mais paulista de todos, falando errado e irritando Vinicius de Moraes, que ficou de bico fechado depois de ouvir a música que Adoniran fez para a letra Bom dia, tristeza, de autoria do Poetinha. Coisa de arrepiar.

Para toda essa gente que implicava, Adoniran tinha uma resposta neoerudita: “Gosto de samba e não foi fácil, pra mim, ser aceito como compositor, porque ninguém queria nada com as minhas letras que falavam ‘nóis vai’, ‘nóis fumo’, ‘nóis fizemo’, ‘nóis peguemo’. Acontece que é preciso saber falar errado. Falar errado é uma arte, senão vira deboche”.

Ele sabia o que fazia. Por isso dizia que falar errado era uma arte. A sua arte. Escolhida a dedo porque casava com seu tipo. O Samba do Arnesto é um monumento à fala errada, assim como Tiro ao Álvaro. O erudito podia resmungar, mas o povo se identificava.

PEREIRA, E. Disponível em: www.tribunapr.com.br. Acesso em: 8 jul. 2024 (adaptado).

O “falar errado” a que o texto se refere constitui um preconceito em relação ao uso que Adoniran Barbosa fazia da língua em suas composições, pois esse uso

  1. Alternativa A: marcava a linguagem dos comediantes no mesmo período.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto cita comediantes apenas como uma das ocupações de João Rubinato, sem dizer que o 'falar errado' fosse traço comum à linguagem desse grupo. O preconceito descrito recai sobre o compositor, não sobre uma marca coletiva de uma profissão.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: prejudicava a compreensão das canções pelo público.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto afirma que o povo se identificava com as letras de Adoniran, o que contradiz a ideia de que o público não as compreendia. Quem a escolhe confunde 'falar fora da norma' com 'falar de modo incompreensível'.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: denunciava a ausência de estilo nas letras de canção.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Adoniran dizia que falar errado era uma arte escolhida a dedo, que casava com seu tipo; portanto havia estilo, e muito bem definido. O que o texto mostra é que esse estilo foi alvo de preconceito, não que faltasse.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: restringia a criação poética nas letras do compositor.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto diz que o compositor virou ícone da música brasileira justamente por esse modo de falar, de modo que o uso ampliou, e não restringiu, sua criação. A dificuldade inicial foi a aceitação das letras, não a capacidade de criar.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: transgredia a norma-padrão vigente à época. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O texto apresenta expressões como 'nóis vai', 'nóis fumo' e 'nóis peguemo', que fogem das regras de concordância da norma-padrão. Foi esse desvio que gerou o preconceito de quem implicava com o compositor, e por isso o texto fala em 'falar errado'. O uso, portanto, transgredia a norma-padrão vigente à época.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
150666
Código da prova
1395
Arquivo do PDF
2024_PV_impresso_D1_CD1.pdf