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Questão do ENEM 2023

Linguagens e Códigos · habilidade 16Reaplicação · Caderno Amarelo · Questão 22

A verdade é que não me preocupo muito com o outro mundo. Admito Deus, pagador celeste dos meus trabalhadores, mal remunerados cá na terra, e admito o diabo, futuro carrasco do ladrão que me furtou uma vaca de raça. Tenho, portanto, um pouco de religião, embora julgue que, em parte, ela é dispensável a um homem. Mas mulher sem religião é horrível.

Comunista, materialista. Bonito casamento! Amizade com o Padilha, aquele imbecil. “Palestras amenas e variadas”. Que haveria nas palestras? Reformas sociais, ou coisa pior. Sei lá! Mulher sem religião é capaz de tudo.

RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1981.

Uma das características da prosa de Graciliano Ramos é ser bastante direta e enxuta. No romance São Bernardo, o autor faz a análise psicológica de personagens e expõe desigualdades sociais com base na relação entre patrão e empregado, além da relação conjugal. Nesse sentido, o texto revela um(a)

  1. Alternativa A: narrador personagem que coloca no mesmo plano Deus e o diabo, além de defender o livre-arbítrio feminino no tocante à religião.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O narrador é de fato personagem, mas não coloca Deus e o diabo no mesmo plano nem defende o livre-arbítrio feminino. Atribui-lhes funções interessadas (pagar os trabalhadores, castigar o ladrão) e condena a mulher sem religião.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: narrador onisciente, que não participa da história, conhecedor profundo do caráter machista de Paulo Honório e da sua ideologia política.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O narrador não é onisciente nem está fora da história: usa a primeira pessoa e fala de “meus trabalhadores” e da vaca que lhe foi furtada. Participa dos fatos e expõe só o seu ponto de vista.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: narração em terceira pessoa que explora o aspecto objetivo e claro da linguagem para associar o espaço interno do personagem ao espaço externo.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A narração é em primeira pessoa. A linguagem direta e enxuta não a transforma em narração em terceira pessoa.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: discurso em primeira pessoa que transmite o caráter ambíguo da religiosidade do personagem e sua convicção acerca da relação que a mulher deve ter com a religião. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O discurso é em primeira pessoa. O narrador admite ter “um pouco de religião”, que julga dispensável a um homem, mas afirma que mulher sem religião é horrível e “capaz de tudo”. Isso revela a ambiguidade de sua religiosidade e a convicção sobre o papel religioso da mulher.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: narrador alheio às questões socioculturais e econômicas da sociedade capitalista e que defende a divisão dos bens e o trabalho coletivo como modo de organização social e política.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O narrador é proprietário e se interessa pelos próprios bens e empregados; não defende divisão de bens nem trabalho coletivo. Ao contrário, associa o comunismo a algo negativo (“Comunista, materialista. Bonito casamento!”).

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
14727
Código da prova
1286
Arquivo do PDF
ENEM_2023_P2_CAD_4_DIA_1_ROSA.pdf