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Questão do ENEM 2023

Linguagens e Códigos · habilidade 15Reaplicação · Caderno Amarelo · Questão 18

Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará, é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinquenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.

ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 8 ago. 2015.

No fragmento transcrito da dedicatória “Ao leitor”, em Memórias póstumas de Brás Cubas, o autor serve-se da figura do narrador-defunto para

  1. Alternativa A: desqualificar o gênero romance, forma literária à qual Machado de Assis pouco se dedicou.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O narrador não desqualifica o romance: apenas diz que o livro foge ao romance usual e que a gente grave verá nele “aparências de puro romance”. Além disso, Machado de Assis escreveu vários romances, de modo que a afirmação de que se dedicou pouco ao gênero é falsa.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: ressaltar a inverossimilhança dos fatos narrados, confrontados com a realidade da burguesia carioca do século XIX.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O fragmento não discute a verossimilhança dos fatos nem os confronta com a realidade da burguesia carioca. Trata da forma livre da obra e da recepção que ela terá junto aos leitores.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: criticar a sociedade burguesa brasileira da época, valendo-se do uso da terceira pessoa e do ponto de vista distanciado.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O narrador fala em primeira pessoa (“eu, Brás Cubas”), e não em terceira. O trecho também se ocupa do livro e de seus leitores, e não de uma crítica social feita de um ponto de vista distanciado.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: sobrepor a “tinta da melancolia” ao aspecto humorístico, de modo a valorizar o tom sóbrio e a temática realista típicos do romance burguês brasileiro.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O narrador diz escrever com “a pena da galhofa e a tinta da melancolia”, unindo humor e melancolia, e não sobrepondo uma à outra. A forma livre e irônica da obra se afasta do tom sóbrio de um romance burguês convencional.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: fazer intromissões na narrativa, introduzindo pausas no relato durante as quais estabelece com o leitor um diálogo de tom sarcástico e provocativo. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O narrador-defunto interrompe o relato para se dirigir diretamente ao leitor e comentar a recepção do livro, reduzindo ironicamente o número de leitores (cem, cinquenta, vinte, dez, cinco). Zomba da gente grave e da gente frívola, que o privarão de sua estima e de seu amor. O resultado é um diálogo de tom sarcástico e provocativo.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
14713
Código da prova
1286
Arquivo do PDF
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