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Questão do ENEM 2024

Linguagens e Códigos · habilidade 17Reaplicação · Caderno Azul · Questão 15

Sim, ela sentia dentro de si um animal perfeito. Repugnava-lhe deixar um dia esse animal solto. Por medo talvez da falta de estética. Ou receio de alguma revelação... Não, não, — repetia-se ela — é preciso não ter medo de criar. No fundo de tudo possivelmente o animal repugnava-lhe porque ainda havia nela o desejo de agradar e de ser amada por alguém poderoso como a tia morta. Para depois no entanto pisá-la, repudiá-la sem contemplações. Porque a melhor frase, sempre ainda a mais jovem, era: a bondade me dá ânsias de vomitar. A bondade era morna e leve, cheirava a carne crua guardada há muito tempo. Sem apodrecer inteiramente apesar de tudo. Refrescavam-na de quando em quando, botavam um pouco de tempero, o suficiente para conservá-la um pedaço de carne morna e quieta.

LISPECTOR, C. Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

Nessa passagem, a reflexão feita pela personagem resulta da sua tomada de consciência da

  1. Alternativa A: inclinação do ser humano para o egoísmo.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A reflexão da personagem é sobre sua própria bondade e as máscaras que a convivência exige, e não sobre uma tendência humana ao egoísmo. Não há no trecho generalização sobre a natureza humana.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: violência sofrida pelos membros da família.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O trecho não menciona violência sofrida por familiares. O desconforto da personagem vem de dentro, do “animal” que sente e do desejo de agradar.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: dissimulação praticada em nome da convivência. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. A personagem percebe que contém um “animal perfeito”, mas que o reprime por ainda querer agradar e ser amada, e descreve a bondade como carne “morna e leve” conservada com tempero. A bondade aparece como encenação mantida para preservar a convivência, e a consciência dessa dissimulação leva à sua reflexão.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: dificuldade de relacionamento entre as gerações.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A tia morta é lembrada como pessoa poderosa cuja aprovação a personagem ainda deseja, mas o trecho não se centra em um conflito entre gerações. O foco é o conflito interno entre o impulso próprio e a bondade aparente.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: postura de desdém pela memória da tia morta.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A personagem quer agradar à tia e depois “pisá-la”, o que revela ambivalência, e não desdém simples pela memória dela. Além disso, o ponto central é a consciência da dissimulação, e não o sentimento em relação à tia.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
140982
Código da prova
1353
Arquivo do PDF
2024_PV_reaplicacao_PPL_D1_CD1.pdf