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Questão do ENEM 2023

Linguagens e Códigos · habilidade 17Caderno Rosa · Questão 24

A escravidão Esses meninos que aí andam jogando peteca não viram nunca um escravo... Quando crescerem, saberão que já houve no Brasil uma raça triste, votada à escravidão e ao desespero;

e verão nos museus a coleção hedionda dos troncos, dos vira-mundos e dos bacalhaus;

e terão notícias dos trágicos horrores de uma época maldita: filhos arrancados ao seio das mães, virgens violadas em pranto, homens assados lentamente em fornos de cal, mulheres nuas recebendo na sua mísera nudez desvalida o duplo ultraje das chicotadas e dos olhares do feitor bestial. [...]

Mas a sua indignação nunca poderá ser tão grande como a daqueles que nasceram e cresceram em pleno horror, no meio desse horrível drama de sangue e lodo, sentindo dentro do ouvido e da alma, numa arrastada e contínua melopeia, o longo gemer da raça mártir — orquestração satânica de todos os soluços, de todas as impressões, de todos os lamentos que a tortura e a injustiça podem arrancar a gargantas humanas.

BILAC, O. Disponível em: www.escritas.org. Acesso em: 29 out. 2021.

Publicado em 1902, o texto de Olavo Bilac enfatiza as mazelas da escravidão no Brasil ao

  1. Alternativa A: descrever de modo impessoal as consequências da exploração racial sobre as gerações futuras.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto não é impessoal: termos como “coleção hedionda”, “época maldita” e “feitor bestial” mostram um narrador indignado e emotivo. Além disso, ele não trata das consequências da exploração sobre as gerações futuras, e sim do fato de que essas gerações só conhecerão a escravidão por notícia e por museu. Quem escolhe esta opção percebe a menção aos meninos do futuro, mas ignora o tom e o foco do texto.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: contrapor a infância privilegiada das crianças da época à infância violentada das crianças escravizadas.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O contraste do texto não é entre a infância das crianças que brincam e a infância das crianças escravizadas, mas entre quem só vai conhecer a escravidão de ouvir falar e quem nasceu e cresceu em meio àquele horror. O texto também não qualifica como privilegiada a infância dos meninos que jogam peteca. A imagem das crianças brincando, logo no início, induz a ler ali uma oposição que o texto não constrói.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: antecipar o futuro apagamento das marcas da escravidão no contexto social. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O texto parte de meninos que “não viram nunca um escravo” e projeta o que acontecerá quando crescerem: saberão que a escravidão “já houve”, verão os instrumentos de tortura nos museus e terão apenas “notícias” daquela época. Ou seja, o autor antecipa um tempo em que as marcas da escravidão terão desaparecido do convívio social e sobreviverão só como memória. Por isso, conclui que a indignação dessas gerações nunca será tão grande quanto a de quem viveu o horror, e é por esse contraste que as mazelas da escravidão ganham ênfase.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: criticar a atenuação da violência contra os povos escravizados nas memórias retratadas pelos museus.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto não acusa os museus de suavizar a violência; ao contrário, diz que eles exibirão a “coleção hedionda” de troncos e bacalhaus, isto é, os próprios instrumentos de tortura. A diferença que o autor aponta não está no que o museu mostra, mas em conhecer pelo museu em vez de ter vivido o horror. A confusão vem de ler a menor indignação das gerações futuras como culpa da forma de exposição.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: imaginar a reação de indiferença de seus contemporâneos com os escravizados libertos.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto não fala de indiferença nem trata dos contemporâneos diante dos libertos. Ele afirma que os meninos de então, ao crescer, terão indignação, só que menor do que a de quem presenciou a escravidão. Quem escolhe esta opção transforma uma diferença de intensidade em ausência de reação, o que o texto não diz.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
140959
Código da prova
1205
Arquivo do PDF
ENEM_2023_P1_CAD_04_DIA_1_ROSA_AMPLIADA.pdf