Proclamação do amor antigramática “Dá-me um beijo”, ela me disse, E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala “dá-me” não ama, Quem ama fala “me dá”
“Dá-me um beijo” é que é correto, É linguagem de doutor, Mas “me dá” tem mais afeto, Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita Por um velho professor, Por isso é tão má receita Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero Quem não diz “amo-te”. Aposto Que em casa ele é mais sincero E diz pra mulher: “te gosto”
Delírio dos olhos meus, Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa, Do jeito que estou pedindo:
“Hoje estou menas formosa, Com licença, vou se indo”.
Comete miles de erros, Mistura tu com você, E eu proclamarei aos berros:
“Vós és o meu bem querer”.
LAGO, M. Disponível em: www.mariolago.com.br. Acesso em: 30 out. 2021.
Nesse poema, o eu lírico defende o uso de algumas estruturas consideradas inadequadas na norma-padrão da língua. Esse uso, exemplificado por “me dá” e “te gosto”, é legitimado