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Questão do ENEM 2022

Linguagens e Códigos · habilidade 16Reaplicação · Caderno Azul · Questão 16

Duas castas de considerações fez de si para consigo o cauto Conselheiro. Primeiramente foi saltar-lhe ao nariz a evidência de que ministro não visita empregado público, ainda que in extremis, mesmo a uma braça, ou duas, acima do chapéu do amanuense mais bisonho. Também não visita escritor enfermo por ser escritor, e por estar enfermo. Seriam trabalhos, ambos, a que não se daria um ministro, nem sempre ocupado das cousas, altas ou baixas, do Estado.

O tempo ministerial não se vai perdulariamente, não se faz em farinhas. Os titulares esquivam-se até a suspirar, que os suspiros implicam o desperdício de minutos se o suspiro é de minutos, além de permitirem ilações perigosas sobre a estabilidade do ministro, quando não do próprio gabinete.

A segunda ponderação remeteu-o à certeza de que terminantemente chegavam ao cabo seus dias; e de que as esperanças eram aéreas, atado agora à cama até que o encerrassem na urna, como um voto eleitoral frio.

MARANHÃO, H. Memorial do fim: a morte de Machado de Assis. São Paulo: Marco Zero, 1991.

O texto relata o momento em que, no leito de morte, Machado de Assis recebe a visita do Barão do Rio Branco, ministro de Estado. Criando a cena, o narrador obtém expressividade ao

  1. Alternativa A: representar com fidelidade os fatos históricos.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A cena é criada pelo narrador em um romance, com pensamentos atribuídos ao personagem, e não pretende reproduzir fatos documentados. A fidelidade histórica não é o recurso que dá expressividade ao trecho.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: caracterizar a situação com profundidade dramática.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O tom do trecho não é de profundidade dramática; há leveza e ironia, como em “O tempo ministerial não se vai perdulariamente, não se faz em farinhas”. Quem a escolhe confunde o tema da morte com o tratamento dado a ele.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: explorar a sensibilidade dos personagens envolvidos.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O foco do trecho está nos cálculos do Conselheiro sobre protocolo e posição do ministro, e não na sensibilidade dos personagens. Os sentimentos quase não aparecem.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: assumir a perspectiva irônica e o estilo narrativo do personagem. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O narrador reproduz o modo de pensar do Conselheiro com ironia e digressões, em um vocabulário refinado e com observações bem-humoradas sobre o tempo ministerial, os suspiros e a política. Ao adotar esse estilo, o texto assume a perspectiva irônica e a forma narrativa do próprio personagem, e é daí que vem sua expressividade.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: recorrer a metáforas sutis e comparações de sentido filosófico.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. Há comparações, como a do voto eleitoral frio, mas seu efeito é irônico e humorístico, e não de sentido filosófico. As imagens não são sutis; são voltadas ao tom de ironia.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
140865
Código da prova
1105
Arquivo do PDF
ENEM_2022_P2_CAD_01_DIA_1_AZUL.pdf