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Questão do ENEM 2021

Linguagens e Códigos · habilidade 29Caderno Azul · Questão 44

Naquele tempo, Itaguaí, que, como as demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de divulgar uma notícia; ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e da matriz; — ou por meio de matraca.

Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe incumbiam, — um remédio para sezões, umas terras lavradias, um soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano, etc. O sistema tinha inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação que possuía. Por exemplo, um dos vereadores desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regímen mereciam o desprezo do nosso século.

ASSIS, M. O alienista. Disponível em: www.dominiopubico.gov.br. Acesso em: 2 jun. 2019 (adaptado).

O fragmento faz uma referência irônica a formas de divulgação e circulação de informações em uma localidade sem imprensa. Ao destacar a confiança da população no sistema da matraca, o narrador associa esse recurso à disseminação de

  1. Alternativa A: campanhas políticas.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O vereador usa a matraca para divulgar sua reputação, mas o texto não fala em campanha política como categoria. O ponto da ironia é o fato de a notícia ser falsa e ainda assim aceita.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: anúncios publicitários.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A matraca anuncia remédios, terras e tesouras, que lembram anúncios, mas a ironia sobre a confiança recai sobre a falsidade das afirmações. Quem a escolhe vê a lista de produtos e esquece o exemplo do vereador.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: notícias de apelo popular.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A matraca atrai gente, porém o texto não destaca o apelo popular das notícias. A crítica está no fato de a população acreditar no que é dito.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: informações não fidedignas. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O vereador tinha fama de domar cobras e macacos sem nunca ter domesticado nenhum, e as pessoas diziam ter visto cascavéis dançando em seu peito, afirmação “perfeitamente falsa”. O narrador associa a confiança no sistema da matraca à disseminação de informações não fidedignas.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: serviços de utilidade pública.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O texto cita serviços de interesse comum, como remédio ou terras, mas o exemplo que a ironia destaca é de uma reputação inventada. A divulgação de utilidade pública não explica a confiança criticada.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
120639
Código da prova
889
Arquivo do PDF
ENEM_2021_P1_CAD_01_DIA_1_AZUL.pdf