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Questão do ENEM 2021

Linguagens e Códigos · habilidade 25Caderno Azul · Questão 7

A draga A gente não sabia se aquela draga tinha nascido ali, no Porto, como um pé de árvore ou uma duna. — E que fosse uma casa de peixes? Meia dúzia de loucos e bêbados moravam dentro dela, enraizados em suas ferragens. Dos viventes da draga era um o meu amigo Mário-pega-sapo. [...] Quando Mário morreu, um literato oficial, em necrológio caprichado, chamou-o de Mário-Captura-Sapo! Ai que dor! Ao literato cujo fazia-lhe nojo a forma coloquial. Queria captura em vez de pega para não macular (sic) a língua nacional lá dele… [...] Da velha draga Abrigo de vagabundos e de bêbados, restaram as expressões: estar na draga, viver na draga por estar sem dinheiro, viver na miséria Que ora ofereço ao filólogo Aurélio Buarque de Hollanda Para que as registre em seus léxicos Pois que o povo já as registrou.

BARROS, M. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990 (fragmento).

Ao criticar o preciosismo linguístico do literato e ao sugerir a dicionarização de expressões locais, o poeta expressa uma concepção de língua que

  1. Alternativa A: contrapõe características da escrita e da fala.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O poeta não contrapõe fala e escrita; ele critica a troca de uma forma coloquial por outra mais formal em um texto escrito (“pega” por “captura”) e defende a fala do povo como parte da língua. A oposição entre os dois modos não é o centro da concepção de língua do poeta.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: ironiza a comunicação fora da norma-padrão.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. A ironia do poeta recai sobre o preciosismo do literato, e não sobre quem se comunica fora da norma-padrão. Ele valoriza o falar popular, como o do amigo Mário-pega-sapo.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: substitui regionalismos por registros formais.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O poeta faz o contrário: critica quem troca o coloquial pelo formal e sugere dicionarizar as expressões locais. Substituir regionalismos por registros formais é a atitude que ele reprova.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: valoriza o uso de variedades populares. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O poeta critica o literato que achou nojenta a forma coloquial “pega” e lembra que o povo já registrou as expressões, pedindo que o filólogo as inclua nos léxicos. Isso revela uma concepção de língua que valoriza o uso das variedades populares como legítimo.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: defende novas regras gramaticais.
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O poeta não defende novas regras gramaticais; ele reivindica o reconhecimento de expressões já usadas pelo povo e sua inclusão nos dicionários. Registrar usos existentes é diferente de propor regras.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
120165
Código da prova
889
Arquivo do PDF
ENEM_2021_P1_CAD_01_DIA_1_AZUL.pdf