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Questão do ENEM 2020

Linguagens e Códigos · habilidade 4Reaplicação · Caderno Branco · Questão 39

Álvaro, me adiciona “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.” Espanta que Álvaro de Campos tenha dito isso antes do advento das redes sociais. O heterônimo parece estar falando da minha timeline: “Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?”.

Humblebrag é uma palavra que faz falta em português. Composta pela junção das palavras humble (humilde) e brag (gabar-se), seria algo como a gabação modesta. Em vez de simplesmente gabar-se: “Ganhei um prêmio de melhor ator no Festival de Gramado”, você diz: “O Festival de Gramado está muito decadente. Para vocês terem uma ideia, me deram um prêmio de melhor ator.”

Atenção: se todo post é vaidoso, toda coluna também. Percebam o uso de palavras em inglês, a citação a Fernando Pessoa. Tudo o que eu mais quero é que vocês me achem o máximo. “Então sou só eu que sou vil e errôneo nessa terra?”. Não, Álvaro. Me adiciona.

DUVIVIER, G. Caviar é uma ova. São Paulo: Cia. das Letras, 2016 (adaptado).

O texto traz uma crítica ao uso que as pessoas fazem da linguagem nas redes sociais. Qual passagem exemplifica linguisticamente essa crítica?

  1. Alternativa A: “‘Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo’.”
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O trecho é a citação dos versos de Álvaro de Campos, a fonte da qual o autor parte. Tomados isoladamente, os versos falam dos conhecidos do poeta, escritos antes das redes sociais. A crítica ao uso da linguagem nas redes só se forma quando o autor aplica esses versos à sua própria timeline, o que não ocorre neste trecho.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  2. Alternativa B: “O heterônimo parece estar falando da minha timeline: ‘Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?’”. gabarito
    Justificativa

    Esta alternativa está correta. O comando pede a passagem em que a crítica ao uso da linguagem nas redes é formulada, e é aqui que o autor a constrói: ao dizer que o heterônimo “parece estar falando da minha timeline”, ele transporta para as redes o desabafo “estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?”. Assim, aponta que as pessoas usam as redes para se apresentar como vencedoras e perfeitas, escondendo o que têm de comum. Essa aproximação entre os versos e a timeline é a expressão linguística da posição crítica do texto.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  3. Alternativa C: “ Humblebrag é uma palavra que faz falta em português. Composta pela junção das palavras humble (humilde) e brag (gabar-se), seria algo como a gabação modesta.”
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. O trecho apenas apresenta e define o termo humblebrag, explicando sua formação a partir de duas palavras do inglês e propondo uma tradução. É uma passagem explicativa, que dá nome a uma prática, sem formular por si mesma um juízo sobre o uso da linguagem nas redes.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  4. Alternativa D: “‘O Festival de Gramado está muito decadente. Para vocês terem uma ideia, me deram um prêmio de melhor ator’.”
    Justificativa

    Esta alternativa está errada, embora o trecho tenha relação direta com o tema: ele é um exemplo de humblebrag, a vaidade disfarçada de modéstia que o autor tem em mira. Mas é uma fala hipotética, inventada para ilustrar o termo, ou seja, mostra o comportamento criticado, e não a crítica a ele. O comando pede a passagem que expressa a crítica, e um exemplo da prática não é a formulação da posição contrária a ela; quem escolhe esta alternativa confunde o objeto da crítica com a própria crítica.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

  5. Alternativa E: “Tudo o que eu mais quero é que vocês me achem o máximo. ‘Então sou só eu que sou vil e errôneo nessa terra?’. Não, Álvaro. Me adiciona.”
    Justificativa

    Esta alternativa está errada. No fecho, o autor se inclui na vaidade que vinha apontando: admite querer que os leitores o achem o máximo e, com humor, pede a Álvaro que o adicione. É um movimento de autoironia que relativiza a crítica ao estendê-la a si mesmo, e não a passagem em que a crítica ao uso da linguagem nas redes é formulada.

    Não revisado · Explicação gerada por IA; pode conter erros.

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Fonte e auditoria
Código INEP
111865
Código da prova
620
Arquivo do PDF
ENEM_2020_P2_CAD_03_DIA_1_BRANCO.pdf